Garotos devem procurar urologista desde cedo

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As mulheres frequentam o ginecologista desde a adolescência, pedem exames, falam de suas vidas sexuais e estão atentas a qualquer problema no aparelho reprodutor. Os homens não deveriam ir ao urologista também? Sim, e desde cedo. Quando o tema é saúde, vale o ditado: é de pequenino que se torce o pepino.

O andrologista Rodrigo Pagani, médico-assistente da Clínica Urológica do Hospital das Clínicas (HC) e professor do Instituto de Ciências da Saúde, acredita que a visita ao urologista pode começar desde a infância. “A gente sempre pensa em consultas regulares a partir dos 40 anos, mas elas devem acontecer antes disso. Recém-nascidos, por exemplo, podiam contar com esses cuidados médicos”.

O motivo é que as más formações mais comuns nos bebês se manifestam nos órgãos genitais. “Entre os problemas estão a hipospádia, que é um desvio na abertura do canal da uretra, e o testículo fora da bolsa”, alerta o médico.

O especialista, que é autor de um dos capítulos do livro de referência médica “Infertility in the Male”, lembra também que nem sempre os pediatras são capazes de identificar s doenças relacionadas aos genitais da criança.

“A segunda idade mais crítica é adolescência por causa das questões sexuais”, diz Pagani. Os garotos, diferentemente das meninas, não procuram o médico antes de iniciar a vida sexual e, dificilmente, são incentivados pelos seus pais a discutir o tema. “O médico assume um papel importante para alertar sobre doenças sexualmente transmissíveis”.

As meninas possuem, com a menstruação, um aviso claro sobre a vida sexual e a saúde. Nos garotos, não há algo tão forte. “Existe um interesse no sexo oposto, brincadeiras e a masturbação como sinais”. Poucos são os que procuram os consultórios para um check-up, apesar de razões não faltarem.

“Essa é a faixa (dos 13 aos 30 anos) em que aparece o câncer de testículo e muitos nem sabem da importância do autoexame de testículo”, explica o médico do HC. Apesar de ter uma alta taxa de cura, ele dobra de tamanho ao passar de quinze dias. “Se ele apalpar algo que não estava acostumado, algum endurecimento, então deve procurar um especialista”.

O risco de não ter um atendimento adequado nesta fase da vida é pagar o preço da infertilidade no futuro. “A varicocele, que acomete, cerca de 15% da população em geral, pode ser revertida se tratada cedo”, comenta Pagani. A varicocele é a formação de varizes nas veias do escroto, que alteram o fluxo de nutrientes e a temperatura da região, podendo causar infertilidade no indivíduo.

Os adolescentes, defende Pagani, pode procurar um profissional de confiança e com calma. “Assim como as meninas, os garotos têm o direito de primeiro conhecer o médico, para depois, se deixarem examinar”, conclui.

Fonte: Instituto André Milanezi

 

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Infertilidade

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No Brasil, estima-se que existam em torno de três milhões de casais  inférteis o que representa 15 % da população. Em 40 % dos casos, o homem é o único responsável pela infertilidade do casal, a mulher responde, unicamente por 40 % dos casos, enquanto que em 20 % dos casais ambos apresentam algum problema que impedem a gravidez.

Aos 40 anos de idade, cerca de 20 % dos homens ainda não são pais, o que gera profunda tristeza pela impossibilidade de gerar filhos, com consequente impacto na esfera social, profissional e familiar. Hoje no Brasil, realiza-se mais de oito mil tratamentos com reprodução assistida (fertilização) por ano.

No homem, a causa mais comum de infertilidade são varizes no testículo (varicocele), responsável por provocar diminuição no seu tamanho e na sua função, impedindo o homem de gerar filhos. Outras causas podem estar presentes como inflamações, traumas, posição anômala e câncer que afetam o testículo, e outras alterações hormonais e genéticas.

É necessário que durante a investigação de um casal infértil tanto o homem quanto a mulher sejam investigados. Normalmente, os exames são solicitados após um ano de tentativa sem sucesso em conseguir engravidar.

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No homem, a investigação da causa de infertilidade deve ser iniciada através de uma análise do esperma (espermograma) e ultrassonografia do testículo, a fim de avaliar o seu tamanho e a presença de varicocele. Em alguns casos, é necessário solicitar dosagens de hormônios sexuais como a testosterona e avaliação genética (cariótipo).

O tratamento irá depender da causa do problema. Se o homem apresentar varizes no testículo, o tratamento consiste em realizar uma cirurgia para corrigi-las. Entretanto, em alguns casos não é possível reverter a fertilidade do homem, devendo-se encaminhar o casal para algum tipo de fertilização (reprodução assistida).